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O que aconteceu e o que acontece no Brasil

por Amilcar José Carvalho

Para compensar a fraca atuação do governo Fernando Henrique Cardoso (FHC) em seu último mandato no que tange a reformas sociais, os governos do PT (Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff), implantaram uma série de programas sociais que são de suma importância para que as famílias  pobres obtenham uma renda extra em seu orçamento e para que suas crianças possam se dedicar apenas aos estudos, com o mínimo de nutrição necessária para ter um aprendizado normal na escola.

Em contrapartida, no segundo mandato de Lula, já se notava certo grau de abandono no que se refere aos investimentos produtivos, à falta de investimentos na infraestrutura e na matriz energética limpa. Na educação, se restringiram a programas de escola técnica e de financiamentos do estudo.

Com a economia pouco dinâmica e os gastos elevados (só em publicidade o governo Dilma gastou mais de 9 bilhões de Reais), não foi surpresa o governo ter suspendido o Fies e o Pronatec por algumas vezes. A educação em geral ficou abandonada, o que afetou negativamente a produtividade.

Tentou-se nesses governos estimular o consumo através da expansão do crédito para a pessoa física em detrimento do crédito para a pessoa jurídica. Fazendo gráficos, nota-se um aumento crescente e vigoroso do crédito para pessoa física (fenômeno que gerou uma expressão fantasiosa:”o surgimento da nova classe média”) e um aumento cada vez menos intenso do crédito para a pessoa jurídica (o abandono da indústria) durante todo o governo Lula.

Consultando a Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF do IBGE) de qualquer destes anos, nota-se que as famílias com renda entre 0 e 3 salários mínimos, que são boa parte dos trabalhadores brasileiros, destinaram mais de noventa por cento de seus gastos mensais com transporte, alimentação, moradia e saúde. Elas usavam o cartão de crédito para consumir mais do que deveriam.

Contudo, no período  em que tiveram que pagar as parcelas, as pessoas pobres reduziram suas compras e outros tornaram-se inadimplentes. Isso gerou queda do consumo, queda da produção, aumento do desemprego e aumento do risco e da rigidez para a redução dos juros ao consumidor final.  

Consequência desse modelo econômico equivocado :  A chamada “nova classe média” foi muito reduzida, fato constatado pelo IBGE, que declarou que as pessoas voltaram para as classes “D” e “E”.

No governo Dilma, alguns setores da indústria tiveram que importar insumos que não existiam mais aqui no Brasil. Em seguida o dólar, com toda a falta de credibilidade, se elevou e essas importações tornaram-se caras, elevando ainda mais a inflação.

Resultado: Estes setores tiveram que reduzir a produção e demitir (mais aumento do desemprego).

Como consequências os programas sociais tiveram que ser cortados por diversas vezes e o Brasil perdeu o grau de investimento.

O governo atual (Michel Temer) em um curto espaço de tempo (comparado aos 13 anos de PT) conseguiu controlar a inflação a níveis ainda aceitáveis e alguns setores da indústria já reagem. A agropecuária cresce com muita força e agora o setor de serviços começa a reagir também.

A balança comercial está reagindo : as exportações crescem mais do que as importações (cabe destacar que no governo Dilma as duas caiam, só que as exportações caiam menos do que as importações, o que gerava um superávit fantasioso).

O Desemprego está sendo combatido, mas demorará a ser reduzido com mais intensidade, devido a confusões jurídicas e a demora na aprovação das reformas trabalhista e previdenciária.

Após essas duas reformas (trabalhista e previdenciária), estará em curso também a reforma tributária, que também será muito importante.

Há mais de 50 bilhões de Reais que serão investidos aqui no estado do Espírito Santo até 2020 que aguardam a aprovação das reformas. Investimentos estes que gerarão milhares de empregos para os Capixabas.

Apesar de haver erros nas escolhas dos Ministros, cabe ressaltar que a equipe econômica foi bem escolhida. Penso que alguns itens das reformas deveriam ser revistos, mas no geral os benefícios serão predominantes para a sociedade Brasileira no longo prazo. Com essas reformas, o Estado Brasileiro caminhará para ser menor e mais eficiente.

Sou a favor da punição a todos os que cometeram crimes, mas sou contra a punição do povo. Com ou sem o Michel Temer, as reformas tem que continuar e o Brasil tem que continuar em direção ao progresso.

O tamanho do Estado tem que ser bastante reduzido e o teto dos gastos públicos deve ser respeitado. O papel do estado tem que ser o de dar o impulso inicial e a direção correta aos agentes econômicos, de forma sustentável (no sentido econômico e ecológico) e fiscalmente equilibrada, sempre com o objetivo de reduzir as desigualdades sociais e regionais e de elevar o bem estar da população.

 

Amilcar José Carvalho é Consultor do Tesouro Estadual, trabalha na Sugerência de Política Fiscal (SUPFI) da Gerência da Política Fiscal e da Dívida Pública do Estado (GEPOF), é Mestre em Economia pela Universidade Federal da Bahia (UFBA).

 

Obs.: As opiniões expressas neste trabalho são exclusivamente do autor e não refletem, necessariamente, a visão da Associação dos Consultores do Tesouro.