Galeria

A PERDA DE DINAMISMO ECONÔMICO GERADA PELO GOVERNO LULA

ANÁLISES DE MATRIZ INSUMO-PRODUTO

Examinando um artigo Professor Leonardo Viggiano et al. (Análise do Sistema Produtivo Brasileiro em 2005 e 2011 a Partir de Matrizes de Contabilidade Social), que pode ser acessado no link http://www.apdr.pt/siteRPER/numeros/RPER45/45.1.pdf, foi possível confirmar dois efeitos importantes do governo Lula sobre a economia Brasileira:

  1. A perda de dinamismo da economia brasileira, e;
  2. O aumento da dependência das transferências de renda para tentar gerar emprego em setores geralmente de baixa produtividade

A perda de dinamismo pode ser verificada observando a queda dos indicadores de encadeamento para frente e para trás de diversos setores entre 2005 e 2011 (Tabela 03 do link).

Já a dependência das transferências de renda para gerar emprego pode ser verificada na elevada e crescente participação do consumo das famílias no PIB e da redução da participação de diversos setores (naturalmente importantes) no PIB (Tabela 01 e 02 do link).

Observando ainda a Tabela 02 do link, destaca-se positivamente (na variação da participação no PIB) em níveis mais significativos os setores de intermediação financeira e o de construção civil. Em um nível menor vem o comércio e em níveis desprezíveis o setor de energia e gás, água, esgoto e limpeza urbana, extração mineral, serviços de informação e transporte, armazenagem e correio.

Alguns destes itens obtiveram quedas em 2006 e 2007, o que gerou uma base inicial de comparação fraca, aumentando as possibilidades de crescimento nos anos seguintes. Outros setores mais importantes sofreram sucessivas quedas : Agropecuária, Transformação, atividades imobiliárias e educação e saúde.

Ao contrário do que diz o texto, penso que não houve surgimento de diversos setores chaves, ora que foram apenas três setores que se tornaram chaves de 2005 para 2011. Além disso, ainda teve uma derrota grande: a indústria química deixou de ser chave (Tabela 03 do link).

A indústria química deveria ser forte, pois se bem estruturada e estimulada, tornar-se-ia um setor com forte encadeamento para trás e para frente (o que seria o estado natural desse setor). Mas aqui no Brasil é um setor pouco dinâmico, o que reflete em outro sinal da dependência das transferências de renda (participação do efeito induzido – Tabela 04 do Link).

Os multiplicadores de emprego (Tabela 05 do link) captam a sensibilidade de cada setor para responder (gerar empregos) a estímulos na demanda e normalmente teriam variações positivas.

Todavia isso não ocorreu entre 2005 e 2011, onde alguns multiplicadores de empregos tiveram variação negativa, como as indústrias de Máquinas e aparelhos (-26%), educação, saúde e outros serviços (-22%) têxtil (-15%), química (-13%), automóveis peças e outros (-6%) e administração pública (-4%) e mineração e pelotização (-2%).

Podemos observar claramente que com a perda de dinamismo de diversos setores da economia, devido a estratégias macroeconômicas equivocadas do governo Lula, a dependência do sucesso na geração de empregos em relação às transferências de renda (comprovada pela elevada participação do efeito induzido) tornou muito frágil a tarefa da geração de empregos.

A sustentabilidade desse modelo macroeconômico é inviável: com perda de dinamismo e as crescentes dívidas internas e externas (no final do segundo mandato de Lula as dívidas já estavam em tendência de alta), o fracasso viria com absoluta certeza. Em seguida veio o governo Dilma, que apenas deu continuidade ao governo Lula, concretizando “a profecia”.

 

Autor: Amilcar Jose Carvalho (é Consultor do Tesouro Estadual, trabalha na Sugerência de Política Fiscal (SUPFI) da Gerência da Política Fiscal e da Dívida Pública do Estado (GEPOF), é Mestre em Economia pela Universidade Federal da Bahia (UFBA).

Obs.: As opiniões expressas neste trabalho são exclusivamente do autor e não refletem, necessariamente, a visão da Associação dos Consultores do Tesouro.